Inquietação no Japão

Premiê pode ter antecipado eleições temendo a prefeita de Tóquio, que quer ‘acordar’ o país

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está no cargo há cinco anos. A economia japonesa, a terceira do mundo, sai lentamente dos 20 anos de letargia que a exauriram. Sem alarde, a máquina se põe novamente em marcha: a previsão de crescimento para 2017 é de 1,5%. O comércio volta, enfim, a ser positivo. Nada do que se vangloriar, mas, comparando-se à longa apatia anterior, o horizonte começa a clarear.

Inquietação no Japão

Decisão é amplamente vista como uma tentativa de se aproveitar da recente melhora no nível de apoio a Shinzo

Entretanto, o primeiro-ministro Abe decidiu dissolver a Câmara dos Representantes e convocar eleições antecipadas para o fim de outubro. A população não entendeu. Abe tem maioria de dois terços nas duas Câmaras do Parlamento.

Alguns têm outra explicação. Os delírios do líder norte-coreano, Kim Jong-un, estariam inquietando Abe, que procuraria assim reforçar sua autoridade para o caso de agravamento da crise. A opinião pública do Japão, porém, não está em pânico em razão da ameaça de bombas norte-coreanas. O próprio Abe, mesmo dramatizando a queda de braço entre Donald Trump e Kim Jong-un, não parece estar apavorado.
Desde o início da crise de Pyongyang, Abe aderiu a Trump – o que não deixa de ser um exercício de virtuosismo, tantas são as idas e vindas do presidente americano, que ameaça com guerra total, recua para a admissão de guerra parcial e, em seguida, admite até a possibilidade de negociação. Abe tenta não dar importância às esquisitices de Trump. Ao chegar ao poder, há cinco anos, o premiê japonês ameaçava o mundo com raios e trovões, mas acabou reforçando o tradicional alinhamento de Tóquio com Washington.
Abe havia até prometido, contrariando toda a política japonesa desde a derrota na guerra de 1945, uma atitude agressiva, algo heroica, no plano exterior, com o protagonismo das Forças Armadas do Japão. Parecia que o antigo país guerreiro e nacionalista sairia de um longo inverno, mas, definitivamente, o torpor continuou. Abe manteve o Japão numa posição subalterna e não tomou nenhuma iniciativa frente à China ou a Coreia do Corte. Seguiu, prudentemente, os caminhos traçados pelos EUA.
Fonte: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,inquietacao-no-japao,70002017301
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